outubro 10, 2004

MATEUS ROSÉ
Você sabia que este vinho:
>> É produzido há mais de sessenta anos em Portugal pela SOGRAPE, empresa fundada em 1942 e hoje a maior produtora de vinhos do país?
>> É elaborado com predominância das uvas tintas Baga, Tinta Barroca e Touriga Francesa?
>> Tem a garrafa numa forma que lembra um cantil militar, porque o vinho nasceu em época de guerra?
>> Nos anos 60, juntamente com os Beatles, transformou-se em espetacular sucesso nos Estados Unidos e no resto do mundo?
>> Teve sua década de ouro, em todo o mundo, entre 1963 e 1973 e foi o vinho mais bebido pela geração que estudava nas universidades dos Estados Unidos nos anos 60 e 70?
>> Era consumido com assiduidade pelos aviadores americanos que participaram das guerras da Coréia e do Vietnã, que o difundiram na Ásia?
>> Teve agora seu rótulo redesenhado, mantendo o mesmo formato de garrafa, para adapta-lo à estética do século XXI?
>> É perfeito no calor, mas também agradável em dias e noites frias, e sua temperatura ideal de serviço está entre 8 e 10 graus centígrados?
Queiram ou não, é um vinho com "pedigree".
VAI DE ROSÉ?
Estamos em plena primavera e daqui a mais um pouco a temperatura começará a subir, prenúncio da chegada do verão. Para quem bebe vinho, é a época para buscar outras opções. E uma delas, certamente, é o rosé. Mas, que vinho é este?
Originário da região da Provence, na França, o vinho rosé é produzido com uvas vermelhas. A diferença para o tinto é o tempo de contato da casca com o sumo da fruta, que dá a coloração rosada.
Por muito tempo considerado cafona, hoje os mais importantes “chefs” do Brasil são entusiastas da “novidade”, mais adequada ao nosso clima do que os tintos encorpados.
Mas o preconceito contra o rosé ainda é grande. Ele é subvalorizado no Brasil. Mas isso tem justificativa: a maior parte dos rosés vendidos é doce e não devidamente seco.
No entanto, está começando a haver uma retomada dos rosés. A nova onda de consumo deste vinho segue uma tendência mundial. Ele sempre foi o primo pobre dos vinhos, porque nunca haviam investido na qualidade. De dois ou três anos para cá, porém, começaram a surgir bons vinhos rosés, pois produtores investiram em novos tratamentos.
Beber rosé é uma moda que está pegando por aqui porque ele é fresco e pode ser aproveitado despretensiosamente. Por ser um vinho frutado, fica muito bom com salmão e legumes.

outubro 07, 2004

VINHOS DE ALTAS ALTITUDES
Notícias divulgadas na imprensa informam que o William Harvey Research, um instituto de pesquisas londrino, realizou, a partir de 2002, estudos com base em vinhos Cabernet Sauvignon da renomada vinícola argentina Catena Zapata. Os resultados desses estudos permitiram comprovar que os vinhos originários de vinhedos de alta altitude são melhores na prevenção de ataques cardíacos. O Professor Roger Corder, chefe do departamento de Terapêutica Experimental daquela instituição, foi premiado e teve seu trabalho publicado na prestigiosa revista científica "Nature". Ele comprovou que os tintos produzidos em altas altitudes têm a capacidade de reduzir danos em nossas artérias. Para permitir uma comparação: um Cabernet de alta altitude argentino tem potência de 1.075 (nível de 10,91 de polifenóis), contra 370 de um Chianti italiano, 313 de um Bordeaux, 244 de um Shiraz australiano.
Tudo isto porque, cada vez mais, os vinicultores argentinos da região de Mendoza, responsável por 70% da produção do país, buscam maiores altitudes para seus vinhedos, para compensar s efeitos do clima local. E, como conseqüência da maior insolação, aumenta a concentração de polifenóis nos vinhos. Vale dizer que, em média, as altitudes em Mendoza ficam entre os 600 e os 1100 metros, quando na Europa o limite costuma ser de 600 metros. No caso da Bodegas Catena Zapata, os vinhedos se situam em altitudes ainda maiores, entre 800 e 1500 metros. E há produtor elaborando vinhos com bons resultados a 2600 metros de altitude.
Para exemplificar, um Cabernet argentino de alta altitude tem potência de 1.075 (nível de 10,91 de polifenóis), contra 370 de um Chianti italiano, 313 de um Bordeaux, 244 de um Shiraz australiano.
Está aí uma notícia interessante para quem procura obter do vinho bons resultados para a saúde coronariana. Resta saber a que preço.

setembro 17, 2004

VINHOS DA FRANÇA - BOURGOGNE
Sem dúvida, as duas regiões vinícolas de maior prestígio em todo o mundo estão na França: Bordeaux e Bourgogne, cada uma com características próprias e marcantes. A Bourgogne é uma província com milhares de propriedades muito pequenas e, em sua maioria, desconhecidas, com honrosas exceções, como o Domaine de La Romanée-Conti.
A região se estende por 300 km no centro-leste do país, desde Chablis até a região dos Beaujolais e contém pelo menos cinco das melhores sub-regiões produtoras francesas. Seus vinhos são conhecidos pela diversidade de sensações aromáticas e gustativas que oferecem, assim como pela sofisticação e preços elevados.As cinco grandes sub-regiões da Bourgogne são: Côte d'Or, Chablis, Côte Mâcconnaise, Côte Chalonnaise e Beaujolais. Seus tintos são produzidos a partir da uva Pinot Noir, e os brancos, da Chardonnay. A exceção está nos tintos de Beaujolais, que são feitos com a uva Gamay.
A uva Pinot Noir produz vinhos de aromas, sabor e textura excepcionais, de classe imbatível, que oferecem sensações olfativas e gustativas absolutamente únicas. Esses vinhos tendem a ter corpo leve, poucos taninos, aromas intensos de frutas vermelhas e florais e, quando amadurecem, podem apresentar grande complexidade aromática. A uva Chardonnay origina vinhos acessíveis, de aromas frutados. E a Gamay é intensamente frutada e floral, com taninos leves e produz bons vinhos jovens, mas com pequeno potencial de envelhecimento.
Os vinhos da Boutgogne são especialmente adequados ao nosso clima tropical, em função de sua leveza e jovialidade.
São estas as sub-regiões da Bourgogne:
Côte d'Or - De longe a região mais importante, dos mais famosos e raros vinhos da região, como os do Domaine de la Romanée-Conti. A Côte d'Or é dividida em Côte de Nuits, ao norte, e Côte de Beaune, ao sul.
Chablis - Berço de excepcionais brancos secos de Chardonnay. Os melhores levam a denominação de Chablis Grand Cru, os intermediários, de Chablis Premier Cru e os mais simples, Chablis. À mesa acompanham crustáceos, frutos do mar, peixes e carnes brancas. São vinhos límpidos, encorpados, de sabor mineral e poderosos.
Côte Mâcconnaise - Produz vinhos brancos, principalmente de Chardonnay. São famosos os seus Pouilly-Fuissé, brancos, muito aromáticos.
Côte Chalonnaise - Continuação natural da Côte de Beaune, é formada por uma conjunção de vilas, tais como Mercurey, Givry, Montagny e Rully.
Beaujolais - Terra dos alegres tintos de Gamay, desde ótimos e subestimados Crus e Villages aos menos importantes mas festejados Beujolais Nouveau, com seu característico aroma de casca de banana, trazidos ao mundo todas as terceiras quintas-feiras de novembro.

setembro 16, 2004

VINHOS DA FRANÇA - BORDEAUX
A região de Bordeaux produz vinhos que se incluem entre os mais desejados do mundo e sua riqueza é comprovada com os nove vinhos classificados como “premiers crus”, sendo oito tintos e um branco.
Localizados no sudoeste da França, os vinhedos se estendem ao longo dos rios Gironde, Garonne e Dordogne. A proximidade com o Atlântico proporciona clima favorável ao cultivo, mas o solo de cascalhos e pedras também exerce influência importante na qualidade.
Bordeaux é o maior distrito do mundo em produção de vinhos finos. Conta com mais de 13 mil vinícolas e 54 “appélations d´origine” (denominações de origem), o que representa 25% das denominações da França. Todos os seus vinhos são produzidos por uma mistura de 3 variedades de uvas, em média, em proporções definidas pelo produtor.
A classificação mais importante dos vinhos bordaleses foi a de 1855. Nela, 59 “châteaux” foram avaliados como “Crus Classes” - de “premiers” a “cinquièmes crus” - de acordo com os preços que eles alcançaram nos 100 anos anteriores a 1855.Na época, os “premiers crus” eleitos foram Château Lafite, Château Latour, Château Haut-Brion e Château Margaux. O Château Mouton teve de esperar mais 118 anos para chegar ao topo deste ranking, por uma concessão especial obtida pelo barão Philippe de Rothschild.
Entre as uvas tintas estão Cabernet Sauvignon (predominante), Merlot, Cabernet Franc, Petit Verdot e Malbec. Entre as brancas encontram-se Sauvignon Blanc, Sémillon e um pouco de Muscadelle.
Os vinhos de Bordeaux podem se classificados pelos tipos genéricos, pelas regiões e pelas comunas em que são produzidos.
Os genéricos (feitos em qualquer parte de Bordeaux) compreendem: rouge, blanc sec, supérieur rouge e supérieur blanc.
Existem seis sub-regiões:
Graves: Produz os melhores brancos secos da região. O vinho mais conhecido é o tinto Château Haut-Brion.
Médoc: Produz os melhores e mais nobres tintos e onde reina a uva Cabernet Sauvignon. Esta região é ainda dividida nas comunas de Margaux (do conhecido Château Margaux), Saint-Julien, Pauillac (com 3 premiers crus: Lafite-Rothschild, Latour e Mouton-Rothschild), Saint-Estèphe, Moulis e Listrac.
St.-Emilion: Produz grandes tintos, com ares menos nobres do que o Médoc. As uvas predominantes são Cabernet Franc e Merlot. Podem ser consumidos cedo e mantêm suas qualidades por bom tempo. Os destaques são os Châteaux Ausone e Cheval Blanc.
Pomerol: A uva Merlot também se adaptou melhor ao seu solo argiloso (95% da uva está presente na elaboração dos crus). Não possui muitas vinícolas, mas o Château Pétrus projetou a região no mundo dos vinhos.
Sauternes: Elaborados basicamente a partir da uva Sémillon, os Sauternes são famosos pelos vinhos de sobremesa. O sucesso de seu sabor particular está na ação do fungo “Botrytis cinérea”, que ao atacar a uva concentra seu açúcar, produzindo vinhos doces naturais. Toda a região produz vinhos botritizados.
Entre-Deux-Mers: Local não tão apreciado entre os vinhos bordaleses - são caros para sua qualidade, mas apresentam melhoria nos últimos anos. Consumidos entre 2 a 3 anos depois de produzidos.

setembro 14, 2004

VINHOS DO URUGUAI
Artigo escrito por Sérgio Inglêz de Sousa, enólogo e autor de vários livros e que teve a oportunidade de visitar o Uruguai::

"O vinho produzido no Uruguai vem sendo descoberto pelo mercado internacional num processo ainda em andamento que começou há cerca de quinze anos.Em 1988, uma dupla de especialistas norte-americanos, contratada para avaliar e sugerir uma saída para a vitivinicultura uruguaia, concluiu que o vinho fabricado com a uva Tannat, que era comercializado como um produto rústico ou misturado com vinho de uva Isabel nos garrafões, era na verdade um produto fino e tinha um potencial mercadológico consideravelmente mais amplo.A partir daí foram reestruturados os vinhedos, as práticas culturais, as instalações das adegas e os processos de vinificação, sempre visando a produção de vinhos finos, de nível premium no mercado internacional.Em 1987 foi criado o INAVI - Instituto Nacional de Vitivinicultura -, como pessoa jurídica de direito público, para a execução da política vitivinícola nacional, com autonomia e independência técnica, financeira e política.

Os Pioneiros
As primeiras adegas que acreditaram no projeto foram a Vinos Finos J. Carrau e a Bodega Pisano, em 1992. Em seguida o processo se generalizou e a vitivinicultura uruguaia passou a incrementar não só a produção do fino Tannat mas, também, de outros varietais clássicos.Em programa agendado pelo INAVI estive visitando parte das principais vinícolas, degustando vinhos e verificando que realmente existe estrutura para uma produção da qualidade.Os varietais podem ser feitos a partir das uvas brancas Riesling, Sauvignon Blanc, Viognier e Chardonnay, ou das vermelhas Tannat, Cabernet Sauvignon e Merlot."
AS VINÍCOLAS DO URUGUAI (1)
Sérgio Inglêz de Sousa, enólogo e autor de vários livros, fez um relato das vinícolas que visitou no Uruguai, quando lá esteve a convite do INAVI. Abaixo a transcrição:

Bodega Los Cerros de San Juan (La Horqueta – Colonia)
Em 1854, Lausenth Booth construiu a adega Los Cerros de San Juan com materiais alemães e carvalho trazido da Floresta Negra. Ao redor de 1887, sob a liderança do novo proprietário, Terra Oyenard, a adega conheceu grande progresso e o Tannat se transformou no seu vinho básico.Com seus vinhedos e adega centenários, produz a linha varietal básica San Juan Connaisseurs, linha varietal Premium Cuña de Piedra, com destaque para o Chardonnay, Cabernet Sauvignon e o Tannat. O rótulo Jubileum, traduz um Ultra-Premium Tannat, com uvas de vinhedos com idades calculadas em mais de 100 anos.

Establecimientos Dante Irurtia (Carmelo – Colônia)
É uma empresa familiar fundada pelo basco Don Lourenzo Irurtia, cuja primeira colheita se deu em 1913. Em 1954 assumiu seu atual comandante, Dante Irurtia, que promoveu a expansão de vinhedos selecionados para produção de vinhos de qualidade internacional, atingindo hoje a posição de maior área de vinhas do Uruguai.Na grande variedade de linhas de produtos destacam-se em nível crescente de qualidade: Varietais Irurtia, Cosecha Particular Irurtia (Premium), Posada del Virrey (Super-Premium), com destaque para o Viognier, o Tannat e o Tannat-Cabernet, o Reserva del Virrey (Ultra-Premium) com carvalho, o Tannat e o Chardonnay.

Bodega Juan Toscanini & Hijos (Canelon Chico)
Depois de trabalhar em terras arrendadas, o imigrante genovês Don Juan Toscanini adquiriu sua propriedade em Canelon Chico, distante 30 Km de Montevideo, onde, em 1908 fundou a adega.Em 1980 foi iniciada a reconversão dos vinhedos, substituindo as velhas cepas por variedades clássicas importadas da França: Tannat, Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Sauvignon Blanc e Chardonnay. Nos anos 90 o estreitamento dos contatos com áreas famosas da Europa incentivaram o programa de produção de vinhos Premium. As linhas de produtos estão divididas em três níveis. Os rótulos Alma Joven trazem cortes em branco e em tinto; os rótulos Toscanini formam a linha clássica com os varietais de praxe e um interessante corte Tannat-Merlot. Os rótulos Selección de Viñedo Toscanini - a linha Carvalho -, trazem o Tannat e o Chardonnay, dois Ultra-Premium.
AS VINÍCOLAS DO URUGUAI (2)
Bodegas Castillo Viejo (Canelones e San Jose)
Empresa familiar fundada em 1927 por Don Santos Etcheverry, em Canelones, a 28 Km de Montevideo. Em 1950, Horacio Etcheverry expandiu a produção e comercialização dos seus vinhos. Em 1978 a condução dos negócios da empresa passou para as mãos dos irmãos Edgardo, Alexandro e Ana Maria Etcheverry, que implementaram uma grande reconversão dos vinhedos e da tecnologia da adega.A produção está dividida em quatro linhas de vinhos finos. A linha de varietais básicos - Viento Sur -, para consumo fácil e dentro da juventude do vinho. Outra linha básica é a Catamayor Varietal, onde se destaca o Sauvignon Blanc. Subindo para a classe dos vinhos Super-Premium, a linha Catamayor Corazón de Roble oferece Chardonnay e Tannat-Cabernet Franc. No nível superior, podem ser apreciados os Ultra-Premium Vieja Parcela, Sauvignon Blanc e Cabernet Franc, este um vinho muito bom.

Bodega Pisano (Progreso)
Esta vinícola foi iniciada em 1914 pela família Pisano com a plantação de vinhedos de variedades européias e veio a elaborar o seu primeiro vinho em 1924. Adquiriu renome pela filosofia de produzir quantidades limitadas, resultado de trabalho artesanal.Esta forma de trabalhar pode ser comprovada na praticidade das suas instalações, deliberadamente básicas, evitando muitas manipulações. O engarrafamento e a aplicação de rolhas são operações feitas em pequenas máquinas manuais, o que propicia inspeção permanente da produção. Sua linha de produção se divide em três níveis: os Premium Coleção 1° Viña, Viognier-Chardonnay, Torrontés Riojano, Merlot-Tannat, Tannat e Cabernet Sauvignon, os Super-Premium RPF – Reserva Personal de la Familia, Chardonnay, Pinot Noir, Merlot, Tannat e Cabernet Sauvignon, e, finalmente, o Ultra-Premium Gran Reserva, Pisano Arretxea, composto de Cabernet Sauvignon, Merlot e Tannat. As premiações internacionais provam a validade da filosofia adotada pela vinícola.

Establecimiento Juanicó (Juanicó - Canelones)
Em 1840, Don Juanicó construiu cavas subterrâneas na sua propriedade, terras onde hoje está situada a cidade de Juanicó, e iniciou a plantação de vinhedos. Ainda na primeira década de 1900 a propriedade foi comprada pela família Seré, que estabeleceu a adega Cortijo Ensayo, visando a elaboração de vinhos no estilo europeu. Mais adiante, a estatal ANCAP assumiu a empresa e partiu para a produção de destilados. Após três décadas, a empresa foi adquirida por Juan Carlos Deicas, que construiu a nova face da Juanicó, a que perdura até hoje. Seus produtos principais são oferecidos com o rótulo Don Pascual, homenagem ao pioneiro da vitivinicultura uruguaia, Pascual Harriague. Sob este rótulo estão as linhas básicas Clássica e Reserva, e uma linha Super-Premium Roble com Chardonnay-Viognier, Tannat e Cabernet Sauvignon. Num nível de Ultra-Premium, o rótulo Preludio, um delicioso corte de Tannat, Cabernet Sauvignon, Merlot e Petit Verdot. As medalhas de ouro que vêm colecionando os Roble e o Preludio comprovam a boa performance internacional destes vinhos.
AS VINÍCOLAS DO URUGUAI (3)
La Aurora (Canelones)
Quando começou a faltar uvas européias para elaboração de vinhos finos aqui no Brasil, a Cooperativa Vinícola Aurora descobriu o Cabernet Sauvignon e o Tannat, uruguaios. Não titubeou e foi para o Uruguai se estabelecer para produção de vinhos finos.Hoje a Aurora é uma das maiores exportadoras daquele país. Além do varietal básico Conde de Fouculd Cabernet, produz a linha varietal Premium Marcus James, Cabernet Sauvignon e Tannat, além do corte Super-Premium Solar Del Paso, Tannat-Merlot, comercializado na Europa.

Vinos de La Cruz (Florida)
Fundada em maio de 1887, por Julio Arocena, numa época em que vários pioneiros trabalhavam novos vinhedos, é a vinícola mais antiga do país, iniciando com produção de Malbec, Tannat e Follie Noir.O neto do fundador, Juan Jose Arocena, executivo da empresa há décadas, participou da frente nacional de melhoria da qualidade do vinho uruguaio, especialmente da revelação do Tannat, como vinho fino, em 1989.Desde 1997 a empresa desenvolve um grande projeto de produção de vinho ecológico, esforço coroado de pleno êxito quando, em 2001, assumiu a posição de primeira vinícola ecológica da América do Sul.Sua linha Vino Ecológico ou Orgânico compõe-se de varietais Super-Premium branco da casta Arriola, rosado de Moscatel e, tintos Malbec, Merlot e Pinot Noir, este um grande vinho.Informação para ser checada: são vinhos permitidos para diabéticos, segundo aprovação da Associação de Diabéticos do Uruguai.

Bodega Castel Pujol - J. Carrau (Cerro do Chapéu)
A Castel Pujol tem suas instalações antigas e tradicionais em Las Violetas (Canelones) e, recentemente, construiu uma nova e moderna adega em Riviera, divisa com o Brasil.Nestas novas instalações está produzindo os varietais básicos, Cerro do Chapéu Sauvignon Blanc, para ser bebido jovem, o Cerro do Chapéu Cabernet Sauvignon, com amadurecimento, e dois Super-Premium: o Amat Gran Reserva Tannat e o !752, um reserva cortado de Tannat, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot.Observação final:Uma excelente notícia para os apreciadores de vinho e do bom churrasco: nossos supermercados e casas especializadas deverão incrementar grandemente suas ofertas de vinhos uruguaios em 2003!
O EQUILÍBRIO DE UM VINHO
O equilíbrio de um vinho representa um fator essencial para a determinação da qualidade do mesmo. Um vinho bem equilibrado com certeza será agradável e as impressões gerais deixadas na boca serão positivas.
As sensações gustativas fazem parte da definição de equilíbrio e são divididas em duas categorias: a dos elementos doces e a dos demais elementos. Os elementos doces são representados por qualquer substância que, fundamentalmente, tenha um gosto doce, tais como açúcar, álcool e glicerol, enquanto os outros elementos serão representados por ácidos, sais minerais e, no caso de vinhos tintos, componentes fenólicos e taninos.
Cada categoria tende a contrastar a outra para se equilibrarem mutuamente e a quantidade de elementos presentes em ambas é que tornará um vinho equilibrado. Para ser equilibrado, portanto, um vinho precisa conter uma quantidade de elementos doces que efetivamente contrastem e equilibrem os outros elementos, ou seja, criar um perfil gustativo equilibrado no qual os elementos de cada categoria não se sobreponham aos demais.
O conceito de equilíbrio varia de acordo com o tipo de vinho, branco ou tinto, devido aos fatores que geralmente tornam cada tipo agradável, e também por causa da natureza e quantidade dos elementos que constituem o vinho.
Um exemplo do dia-a-dia serve para ilustrar o assunto: quando se adiciona açúcar a um sumo de limão até o ponto desejado, na realidade está-se a equilibrar a acidez do sumo com o seu sabor para torna-lo mais agradável. Açúcar a menos provoca desequilíbrio ácido; açúcar a mais provoca desequilíbrio no sabor, a bebida se torna enjoativa.
O desequilíbrio alcoólico provoca um ardor na boca, originando vinhos quentes (imagine-se a sensação das bebidas brancas). A sua doçura provoca vinhos enjoativos.
O desequilíbrio dos taninos torna a prova demasiado seca (sem sabor) e rugosa (como beber chá preto sem açúcar). No entanto, não se deve esquecer que nos vinhos tintos jovens o tanino domina com freqüência. Mas essa presença em excesso tem que enriquecer os sabores e aromas em vez de os encobrir.
O desequilibro ácido provoca vinhos adstringentes e amargos (como beber sumo de limão puro).