outubro 11, 2005

PARREIRAIS DO PARALELO 31

Image hosted by Photobucket.com

Na região de Palomas, a paisagem do pampa é embelezada por milhares de cachos perfeitos, obtidos em uma das áreas mais nobres do Brasil para o cultivo de viníferas.
A exemplo dos melhores vinhedos do mundo, os de Sant'Ana do Livramento e Rivera também estão situados em uma região privilegiada, que se chama Paralelo 31. Nesta área, o clima (com invernos rigorosos e verões com 100 dias de sol), bem como as características do solo, determinam as condições ideais para o cultivo de uvas viníferas. Sendo assim, a matéria prima - a uva - chega à vinícola em seu melhor estado de amadurecimento - com alto grau de açúcar, relação de acidez e PH equilibrado, além de um excelente estado sanitário - uma combinação de fatores que resulta em um vinho de alta qualidade e competitividade no mercado.
Os vinhedos da Almadén, localizados aos pés do Cerro de Palomas, são pioneiros na campanha gaúcha, e ali estão instalados há mais de trinta anos. Esta é a única grande vinícola brasileira que produz 100% das uvas que são empregadas na elaboração de seus vinhos. A capacidade anual de produção está em torno de 7 milhões de quilos das variedades Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Riesling, Chardonnay, Ugni Blanc, Gewürztraminer, Gamay, Sauvignon Blanc, entre outras.
Além de Almadén, pertencente à Pernod Ricard, outras vinícolas também estão instaladas no município. A Santa Colina é um projeto do grupo francês Hombo, o maior produtor e distribuidor de bebidas do Japão, que vem a Sant'Ana para produzir para aquele país, bem como para o mercado brasileiro. Propriedades menores também despertaram para o cultivo de castas nobres e, a cada safra que passa, vão conquistando também o seu espaço, como é o caso da Vale de Palomas, do estreante na arte de vinificar, Fabrício Cheguem, que neste ano produziu 10 mil litros do recém chegado no mercado, vinhos Don Gabriel.
Com as mesmas condições de clima e solo, Rivera - no lado uruguaio - também possui suas vinícolas. O destaque fica por conta das Bodegas Carrau, uma paixão familiar iniciada na Espanha e transmitida, de geração em geração, durante mais de 250 anos. Em Rivera, a Carrau possui uma das mais modernas bodegas da América Latina, com funcionamento baseado na ação da gravidade; um verdadeiro luxo, no coração do Cerro do Chapéu, um outro cartão postal da cidade. Propriedades menores também têm seu espaço, e pouco a pouco, conquistam o consumidor de vinho. É o exemplo das Viñas Del 636, uma empresa familiar onde Jorge Gutierrez e seu filho, o enólogo Tiago Gutierrez, elaboram, artesanalmente, cerca de 30 mil litros de vinho ao ano.
Grandes ou pequenas, as vinícolas de Livramento e Rivera são, inquestionavelmente, dignas de uma visita. Aqui você conhecerá a arte, aliada à paixão, de elaborar os melhores vinhos finos do Rio Grande do Sul e Uruguai. FONTE: A Platéia Online, Santana do Livramento, RS.

outubro 09, 2005

O GOSTO ROLLAND
Com 102 clientes em 14 países, Michel Rolland não elabora diretamente os vinhos. Ele oferece consultoria aos enólogos locais e dá orientação no plantio e condução das vinhas, na gestão da maturidade das uvas, na vinificação, no amadurecimento, etc.
Rolland, às vezes, participa do corte ou assemblage (mistura dos vinhos de barris diferentes para formar o produto final), sua especialidade. Seus vinhos são elaborados invariavelmente com uvas ultra-maduras, às vezes maduras em excesso. Essa maturação corre o risco de estar em desarmonia com a maturação fenólica (taninos) e com perda de acidez.
Depois, o líquido passa por um estágio em barris de carvalho. Como resultado, todos estes vinhos têm características em comum, o “gosto Rolland”:
- A cor do líquido é muito escura.
- Os aromas e sabores lembram frutas muito maduras e geléia, com presença marcante de aromas vindos do estágio em madeira (café, chocolate, caramelo, coco queimado, baunilha, etc).
- A maciez e quase doçura no palato é outro item, pelo alto teor alcoólico (geralmente, de 13,5% para cima), taninos doces e baixa acidez.
É bom lembrar que Rolland não “inventou” esse padrão. Ele é apenas um excelente enólogo, que sabe o que agrada e o que não agrada e sabe como fazer vinhos que atendem à demanda. FONTE: "A polêmica da globalização", Marcelo Copello, revista ADEGA, setembro de 2005.

outubro 02, 2005

SERVIR O VINHO? QUAL A ORDEM?
Quando existem vinhos diferentes para servir, surge uma dúvida: em qual ordem? O procedimento adequado não chega a ser um ritual, mas, sim, trata-se de aplicar o bom senso. A regra básica, primordial, a ser observada é a seguinte: um vinho não deve jamais fazer com que os participantes desejem voltar ao que o precedeu.
A ordem por que se devem servir os vinhos é a seguinte: o seco antes do doce, o novo antes do velho, o branco antes do tinto.
É lógico que não poderemos apreciar um bom vinho seco se antes tivermos bebido um vinho doce. Da mesma forma, deve-se servir um vinho novo antes do velho, porque o vinho que envelheceu, em princípio, está no seu auge e eclipsará um vinho novo, mesmo que seja muito bom, cuja maturação ainda não terminou. Isso leva-nos à regra fundamental da ordem dos vinhos: o último deve ser o melhor. O ideal é seguir uma progressão que vá do bom ao excelente, do mais leve ao mais encorpado, do simples ao sutil.
Apesar disto, há quem faça exatamente o contrário e prefira beber primeiro o melhor dos vinhos, sob a alegação de que, depois de algumas taças, qualquer coisa vale... Mas, não seria esta a postura de um degustador equilibrado, que bebe com moderação.

outubro 01, 2005

MORANDÉ TERRARUM RESERVA
Notícia publicada em um jornal do Rio de Janeiro dá conta de que a Viña Morandé (Chile) comemora um ano de sucesso junto aos consumidores cariocas com o lançamento de sua linha Terrarum Reserva.
Segundo divulgado no site da empresa, “a Viña Morandé foi fundada em 1996 e desde o início trabalha para romper esquemas dentro de um mercado que se considera tradicional. Para isso foi definida uma estratégia que a posiciona como uma vinícola inovadora, com uma ampliada variedade de produtos e com a melhor relação preço-qualidade. É por isso que a Morandé está em uma constante busca por novas variedades, novas técnicas de vinificação, novos vales, novos desenhos originais para seus rótulos, etc. Garantida pela trajetória de seu enólogo Pablo Morandé Lavín, e pelo reconhecimento da qualidade de seus vinhos, a Viña Morandé está se consolidando como uma grande marca, moderna e vanguardista”.
Ainda segundo a Morandé, “cabe destacar que Pablo Morandé Lavín foi quem, no começo da década de 80, observou que o Vale de Casablanca apresentava condições similares às existentes na região de Carneros, na Califórnia, dando origem ao mais importante descobrimento para o mercado do vinho chileno dos últimos tempos. Também foi o primeiro enólogo a vinificar uvas infectadas por botrytis para fazer um vinho especial, chamado Late Harvest, que hoje constitui uma categoria de vinhos no Chile, e é produzido por numerosas vinícolas. Outro exemplo de inovação é ser o primeiro a produzir vinhos de uvas congeladas, o Ice Wine, no Chile”.
“Hoje, a Viña Morandé conta com uma planta de vinificação em Pelequén (122 km ao sul de Santiago), considerada uma das bodegas mais modernas do país. Possui mais de 20.000 m2 construídos, tecnologia de ponta e uma capacidade instalada para 12 milhões de litros em tanques de aço inoxidável. Ali são moídas uma média anual de 12.000 de toneladas de uvas viníferas finas provenientes dos vales de Casablanca, Maipo, Rapel, Curicó, Maule e Itata”.
A linha Terrarum Reserva é apresentada nas variedades tintas Cabernet Sauvignon, Merlot e Carmenère, com vinhosconsiderados de vida longa (superior a três anos) e brancas Chardonnay, Pinot noir e Sauvignon blanc, com guarda de um a três anos.
Além desses vinhos, a Morandé produz também: House of Morandé Ultra Premium, Morandé Vitisterra, Morandé Pionero e, entre suas especialidades, Morandé Edição Limitada, Morandé Dueto e Morandé Late Harvest.
PANORAMA ESTATÍSTICO INTERNACIONAL
Introdução
Muito se fala das estatísticas da produção mundial de vinhos, mas, quase sempre, os dados apresentados são discordantes. As discrepâncias se devem, na maioria dos casos, à falta de uniformidade dos critérios utilizados para aferir tais dados, contudo, outras vezes, são fruto apenas do desejo de manipulação de alguns. Os dados mais fidedignos talvez sejam os provenientes da F.A.O. (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) que são harmonizados com os dados da O.I.V.(Organização Internacional da Vinha e do Vinho), a cada dois anos. Utilizando as informações obtidas através destes órgãos, com ano base 2002, último ano disponível, podemos traçar um perfil do mercado mundial de vinho.
Produção mundial de uvas
A superfície plantada de uvas, sejam elas voltadas ou não para a produção de vinhos, diminuiu nas últimas duas décadas, chegando em 1997 ao nível mais baixo desde 1950. Em 2002 houve uma estabilização dos índices e a área plantada somou 7,88 milhões de hectares, sendo a Espanha responsável por 15,26% deste valor, a França por 11,54%, Itália por 11,7% e o Brasil por 0,82%.
Produção mundial de vinho
Analisando apenas a superfície plantada destinada à produção de vinho, a França ocupa o primeiro lugar, seguido da Itália e Espanha. Foram produzidos 260,89 milhões de hectolitros, 2% a menos que em 2001, sendo a França o maior produtor de vinho do mundo, com 19,16% da produção, redução de 6% em relação a 2001, seguido da Itália, Espanha, EUA, Argentina, China, Austrália, Alemanha, Portugal, África do Sul, Chile, Hungria, Romênia, Grécia, Rússia e Brasil com 1,23% da produção.
As estatísticas para 2004, ainda não confirmadas, revelam que a produção mundial de vinho chegou a 294,6 milhões de hectolitros, sendo a Europa responsável por 70,6% da produção. Os maiores países produtores foram França com 56,6 Mhl, Itália com 51,5, Espanha com 42,14, EUA 19,51, Argentina 15,46, Austrália 13,81 e China 11,31.
Consumo mundial de vinho
O consumo mundial de vinho atingiu 227,83 milhões de hectolitros sendo a Europa responsável por 68,7% do consumo, diminuição de 5,1% em relação ao final dos anos 80. Em contrapartida, o consumo cresceu 12% na ex União Soviética e na América 3% em relação a 2001. O país de maior consumo per capita/ano foi Luxemburgo com 63,4 litros, seguido da França com 56, Itália com 48, Portugal com 46, Suíça com 43 e Espanha com 31,6. O Brasil teve consumo medido de 1,8 litro por pessoa/ano. Enquanto na maioria dos países ocorreu decréscimo de consumo, países como Nova Zelândia, China, EUA, Canadá, Austrália e Inglaterra e Brasil apresentaram aumento de consumo. O consumo está na casa dos 236 milhões de hectolitros, em crescimento depois de anos em declínio. A Europa consome 68,4% do vinho mundial, a América 20,2% e a Ásia 6,7%. Os países de maior consumo absoluto são a França com 33,5 Mhl, Itália com 28,3, EUA com 24,7, Alemanha com 20,3, Espanha com 13,9, China com 11,7, Inglaterra com 11,7. Os países com maior consumo per capita/ano são Luxemburgo com 55,8 litros, França com 55,4, Portugal com 52,6, Itália com 51,1, Croácia com 44,7, Eslovênia com 44,4, Suíça com 41,4.
Exportações mundiais de vinho
As exportações de vinhos chegam a 77,4 Milhões de hectolitros sendo que a França é o maior país exportador com 14,21 Mhl, seguido da Itália com 14,19, Espanha com 13,51, Austrália com 6,45, Chile com 4,67, EUA com 3,87 e Portugal com 3,12. As importações somam 72,1 milhões de hectolitros, sendo a Alemanha com 12,49 Mhl, Inglaterra com 11, 94, EUA com 6,24, França com 5,51, Rússia com 4,5, Holanda com 3,49 e a Bélgica com 27,55 os maiores importadores mundiais.
Tendências do mercado
A tendência no mercado mundial de vinhos é o crescimento. Enquanto muitos países europeus chegaram ao seu máximo patamar de consumo, novos e maiores mercados são abertos em outros continentes. Se, por um lado, existem movimentos para a diminuição do consumo do álcool, por outro, há a comprovação médica dos benefícios do vinho à saúde, alavancando o consumo. Enquanto os vinhedos europeus, por conta das políticas agrárias na União Européia, diminuem de tamanho, outros, em continentes como América e Ásia, contribuem expressivamente com aumento da área plantada. O consumidor, por sua vez, busca cada vez mais a boa relação custo x benefício e demanda maior qualidade. Neste sentido, países como Austrália, Chile, Argentina ,África do Sul, e mais recentemente Portugal, têm se destacado no cenário internacional e ganham cada vez mais espaço. FONTE: Tribuna da Bahia.

setembro 30, 2005

OS TOP 10 PAÍSES PRODUTORES DE VINHO
Segundo dados da OIV referentes a 2001, a produção mundial de vinho decresceu de 27.491 ML (milhões de litros) em 2000 para 26.760 ML em 2001 (redução de 2,66%). Argentina, Austrália e Portugal mostraram aumentos da produção em 2001, enquanto os outros “Top 10” produtores tiveram reduções. A Austrália superou a Alemanha também na produção de vinho e agora se tornou o sexto maior produtor mundial.
Abaixo os dez maiores produtores mundiais, com a indicação das respectivas produções em milhões de litros (ML), além das porcentagens em relação à produção mundial:
França – 5.330 ML, 19,92%
Itália – 5.090 ML, 19,02%
Espanha – 3.050 ML, 11,40%
EUA - 1.980 ML, 7,40%
Argentina – 1.580 ML, 5,90%
Austrália – 1.020 ML, 3,81%
Alemanha – 900 ML, 3,36%
Portugal – 770 ML, 2,88%
África do Sul – 650 ML, 2,43%
Chile – 570 ML, 2,13%
FONTE: G. Dutruc-Rosset, Extract of the Report on World Vitiviniculture, 24 June, 2002.
OS TOP 10 PAÍSES CONSUMIDORES DE VINHO
Segundo os dados mais recentes da OIV, o consumo mundial de vinho diminuiu de 21.936 ML (milhões de litros) em 2001 para 21.892 ML em 2002 (redução de 0,20%) e permanece consideravelmente menor do que em 1979, quando era de 28.656 ML (redução de 23,61%). Comparativamente ao ano de 1996 (tópico abaixo), ainda segundo a OIV, a redução foi de 1,93%.
França e Itália continuam respondendo por 29% do consumo total (31,6% em 1996), enquanto a Europa, como um todo, consome 70% da produção mundial. O consumo francês cresceu 2.4%, enquanto o italiano diminuiu 1,0%. O Reino Unido mostrou o maior crescimento entre os “Top 10”, com 10,4%.
Abaixo os 10 países de maior consumo, em ML, também com a indicação da porcentagem em relação ao total mundial:
França – 3.370 ML, 15,4%
Itália – 3.050 ML, 13,9%
USA – 2.133 ML, 9,7%
Alemanha – 1.966 ML, 9,0%
Espanha – 1.400 ML, 6,4%
Argentina – 1.204 ML, 5,5%
Reino Unido – 1.010 ML, 4,6%
China – 580 ML, 2,6%
Rússia – 440 ML, 2,5%
Romênia – 470 ML, 2,1%
FONTE: G. Dutruc-Rosset, Extract of the Report on World Vitiviniculture, 24 June, 2002.

setembro 29, 2005

CONSUMO MUNDIAL DE VINHO
Alguns dados estatísticos sobre o consumo mundial de vinho. Como se referem a levantamentos feitos em 1996, certamente que ao longo da última década ocorreram variações, mas dá para perceber como se comporta o consumo mundial. Os números indicam, para cada país, pela ordem: consumo (em milhões de litros), porcentagem em relação ao consumo mundial, consumo “per capitã” (em litros).
Mundo – 22.322
Itália – 3.562, 16.0%, 59.4
França – 3.479, 15.6%, 60.0
USA – 2.046, 9.2%, 7.7
Alemanha – 1.866, 8.4%, 22.9
Espanha – 1.475, 6.6%, 37.7
Argentina – 1.355, 6.1%, 41.5
Romênia – 725, 3.2%, 31.5
Reino Unido – 725, 3.2%, 12.5
Portugal – 580, 2.6%, 58.5
África do Sul – 406, 1.8%, 9.3
China – 394, 1.8%, n.a.
Austrália – 329, 1.5%, 18.1
Grécia – 320, 1.4%, 30.1
Hungria – 305, 1.4%, 30.0
Suíça – 291, 1.3%, 41.2
Pode-se perceber a elevada taxa "per capita" dos países europeus e, particularmente, da Argentina (e dizer que no Brasil não chega a 2.0%...).
FONTE: OIV (Office International de la Vigne et du Vin), State of Vitiviniculture in the World and the Statistical Information in 1996.
VINHOS DO NOVO MUNDO – DICAS GERAIS
Vinho não precisa ser caro. Há verdadeiras jóias no mercado a preços incríveis. É verdade que temos de escavar um pouco e deixar preconceitos de lado. Não se pode seguir pensando que vinho para ser bom tem de ter um preço assustador. É um produto bastante democrático, e há para todos os gostos e bolsos. Para facilitar, aqui vão algumas dicas.
O Novo Mundo apresenta produtos de qualidade com bons preços. Difícil de ter que engolir um argentino? Eu entendo, mas esqueça as diferenças, os caras são bons. A uva Malbec (originária da região de Cahors, na França) brilha neste país. Encontrou ali uma terra onde pode se expressar de maneira excepcional. São vinhos que apresentam notas de fruta vermelha bem madura. E como costumam dar "uma passada" por madeira de qualidade, também nos presenteiam com nuances tostadas bem interessantes.
Se realmente não conseguir compatibilizar com os argentinos, parta em direção ao Chile. São vinhos com uma tendência a ser encorpados e saborosos, além de bastante didáticos em termos de o que a uva Cabernet Sauvignon deve apresentar como linha aromática (os clássicos pimentão ou pimenta verdes). Fora esta, a nova vedete é a Carmenère, uva de origem bordalesa, que desapareceu desta zona francesa com a crise da “phylloxera”. Dá vinhos de corpo médio a encorpado, dependendo do produtor e da vinificação.
A Austrália adotou a francesa Syrah, onde é conhecida como Shiraz. Esta uva tem origem na região do vale do rio Rhône, no sudeste da França. No seu país de adoção adquiriu notas mais frescas, com muita fruta vermelha, e toques de cravo e chocolate.
A África do Sul criou sua própria uva, a Pinotage, um híbrido da Pinot Noir da Borgonha com a Cinsaut do sul da França. Produz vinhos dos mais variados, mas seu diferencial é a elegância predominante em vez da potência que marca os vinhos do Novo Mundo. São, portanto, mais finos, mais flexíveis e mais fáceis de harmonizar com diferentes pratos.
A Nova Zelândia, com seu clima frio, produz vinhos de aromas bastante típicos da uva Sauvignon Blanc, que tem berço em Sancerre, na célebre região do Vale do Loire. Não podemos nos esquecer que este país também produz excelentes vinhos da uva de Borgonha, a Pinot Noir, justamente pelas características particulares de seu clima.
Estas são algumas opções para os já clássicos vinhos das regiões do Velho Mundo. Como disse, o vinho é um produto bastante democrático, e por isso não há porque ter preconceitos com sua origem. Por isso, vamos atrás dessas jóias modernas da nova viticultura mundial!
FONTE: Alexandra Corvo, sommelier, Portal Veja São Paulo.

setembro 28, 2005

VINHOS DA AUSTRÁLIA

Image hosted by Photobucket.com

A história dos vinhos australianos mistura-se com a própria história da colonização, quando em 1788 um capitão da marinha britânica, Arthur Philip, aportou no país, trazendo, além de soldados e degredados, as primeiras mudas. Essas mudas foram inicialmente plantadas onde hoje está o Jardim Botânico de Sidney, mas não deram muito certo pelas condições desfavoráveis do solo e clima. Nas primeiras décadas os vinhedos cresceram lentamente, próximos a Sidney, em New South Wales. Em 1820, imigrantes europeus, entre eles pastores luteranos, colonos escoceses e suíços introduziram cepas européias dando início a uma nova etapa da vitivinicultura na Austrália. Uma das regiões que mais se destacou foi o Hunter Valley, quando um desses colonos construiu sua propriedade lá. As vinhas espalharam-se também para o sul do país, em Barossa Valley, Yalumba, Victoria e Yarra.
No final do século, por volta de 1890, a filoxera, praga que atacou vinhedos no mundo todo, não poupou a Austrália também, e boa parte dos vinhedos de Victoria foram destruídos, mas as outras áreas tiveram mais sorte e quase todos os vinhedos foram preservados.
Apesar dos esforços para se produzir vinhos mais elegantes e complexos, o gosto local ainda dava preferência aos vinhos brancos, leves e baratos, e essa preferência só começou a mudar por volta de 1930, na época da Grande Depressão, e a procura recaiu sobre bebidas mais fortes, vinhos mais encorpados, inclusive os fortificados. As mudanças reais começaram a acontecer na Austrália nos anos 60, quando as multinacionais resolveram investir em tecnologia e surgiram os embriões dos vinhos de boutique, que praticamente espalharam a produção de vinhos por todo o país.
A guinada final foi na década de 90, mais precisamente por volta de 1995, quando os australianos criaram uma reviravolta no mercado mundial de vinhos, ganhando renome mundial à partir da obtenção de excelentes notas nas mais tradicionais revistas especializadas.
Com o aumento no consumo de vinhos, a descoberta de suas propriedades, especialmente os vinhos tintos quando consumidos com moderação, e o fato dos vinhos australianos estarem alcançando sempre os primeiros lugares nos ranking's mundiais, tem elevado seus preços mundo afora, e os profissionais residentes no país estão desfrutando do mesmo status outrora conferido somente aos europeus, especialmente os franceses.
A Austrália é hoje o 8° produtor mundial de vinho, um record para um 'novato', produzindo cerca de 6,5 milhões de hectolitros/ano, sendo que parte dessa produção é exportada para diversos países do mundo. Apesar dos índices mundiais apontarem para um declínio no consumo de vinhos, na Austrália o consumo per capita é cerca de 19 litros/ano.
As regiões produtoras são: New South Wales (Hunter Valley, Mudgee, Orange e Riverina); Victoria (Yarra Valley, Rutherlen, Great Western, Pyrennes, Goulborn Valley, Bendigo); South Australia (Barossa Valley, Coonawarra, Padthway, Clare, Adelaide Hills e Riverland); Western Australia (vale do Rio Swan, vale do Margareth e Mount Barker); Tasmânia. FONTE: Best Wine.