fevereiro 22, 2004

CHILE - RETROSPECTIVA HISTÓRICA
Encerrando esta série de notas sobre os vinhos chilenos, apresentamos uma breve retrospectiva histórica, visando a mostrar como se processou a implantação da vitivinicultura no país e a evolução subseqüente da mesma. As informações a seguir constam da oitava edição (2001) do Guia de Vinos de Chile, em parte utilizado como fonte de referência para essas notas. Veja aqui.

fevereiro 20, 2004

CHILE - VINHOS BONS E BARATOS
Como uma referência para os que procuram comprar vinhos mais baratos, mas de qualidade, indicamos abaixo alguns que foram classificados em 2001 pelo Guia de Vinos de Chile nas categorias de "agradável" (** - 70 a 79 pontos) e "excelente" (*** - 80 a 86 pontos). São vinhos de vinícolas conceituadas, das safras de 1999 e 2000, e custavam, no mercado local (à época da classificação), até 2.000 pesos (+/- 3,5 USD hoje).

Cabernet Sauvugnon
Canepa Clássico 99 **, Carmen Margaux 99 ***, Carta Vieja 00 **, Casa Silva Doña Dominga 99 ***, Gracia Celebrado 99 **, Luís Felipe Edwards Pupila 99 ***, San Pedro Gato Negro 99 **, Santa Carolina Antares 99 **, Santa Carolina Três Estrellas 99 ***, Santa Helena Siglo de Oro 99 ***, Santa Rita 120 Tres Medallas 99 **, Tarapacá Leon de Tarapacá 99 ***, Undurraga 99 **, Valdiviso Saint Morillon 99 **.

Chardonnay
Carmen 99 ***, Carmen 00 ***, Casa Silva Doña Dominga 00 **, Concha y Toro Sunrise 99 **, Cousiño Macul 99 **, San Pedro Gato Blanco 00 ***, Santa Carolina Tres Estrellas 99 **, Santa Rita 120 Tres Medallas 99 **, Santa Rita 120 Tres Medallas 00 **, Tarapacá León de Tarapacá 00 **.

Convém ressaltar que são vinhos já com quatro a cinco anos e, por isto, não se poderia esperar tivessem as mesmas classificações em 2004. Mas ficam aqui as referências, podem ajudar na hora da escolha.

fevereiro 19, 2004

CHILE - EVOLUÇÃO E BOM PREÇO
Na seqüência dos comentários sobre os vinhos chilenos, julgamos importante abordar a evolução desses produtos no mercado, em termos de qualidade/preço. E uma maneira de fazer isto é divulgar um artigo publicado na edição n° 49 da revista Vinho Magazine, com o mesmo título acima, assinado por Roberto Wagner de Almeida:
"Você é o tipo de consumidor que compra vinhos chilenos só porque são mais baratos que os europeus? É bom mudar de idéia. Se, de fato, os grandes vinhos da Europa são caros, os de qualidade média não costumam ser melhores que os bons chilenos e, freqüentemente, perdem a disputa não só no preço, mas igualmente na qualidade.
Os melhores vinhos do Chile também têm preços elevados, embora não tanto quanto os franceses mais renomados. O Clos Apalta 2000, da Casa Lapostolle; o Montes Alpha M 2000 e o Folly 2001, da Viña Montes já alcançaram cotações de 94 e 93 pontos na reputada revista "Wine Spectator", classificados como excepcionais e próximos ao limite dos clássicos, mas não são baratos. Cada garrafa custa perto de US$ 100 no Brasil. Ainda assim, bem abaixo do preço de vinhos europeus que não alcançam tais cotações por parte dos especialistas. A evolução dos chilenos já fez com que nada menos que 61 vinhos fossem cotados pela mesma revista com 90 a 92 pontos, todos no elenco dos excepcionais. Além dos três já mencionados, figuram nessa elite requintados exemplares que atendem pelos nomes de Almaviva, Viñedo Chadwick, Don Melchor, Ninquén, Seña, Manso de Velasco, Antiyal, Carmen Gold Reserve, Syrah Cuvée Alexandre, De Martino Reserva de Família, Domus Aurea, Santa Rita Casa Real, Carmen Winemaker's Reserve, Merlot Cuvée Alexandre, Merlot Peumo Marqués de Casa Concha, Carmenère Peumo Terrunyo, Don Maximiano Founder's Reserve, Santa Rita Triple C, El Principal e outros tantos.
"

fevereiro 18, 2004

CHILE - OS MELHORES DE 2003
Muitos vinhos de qualidade foram destaque no Chile em 2003, por isto mesmo e para não cometer enganos ou esquecimentos, não nos preocupamos em relaciona-los. Por outro lado, procuramos saber o que foi publicado na imprensa especializada do país, em particular sobre os melhores do ano. Assim, encontramos um artigo na revista "Qué Pasa", edição de 20/12/03, da autoria de César Fredes, que destaca os quatro melhores vinhos e, para não perder a fidelidade numa tradução, o reproduzimos, na íntegra, no idioma espanhol:

"Los mejores vinos chilenos de este año son casi siempre caros, incluso de precio poco accesible, como el Clos Apalta 2001 (casi US$100). Pero afortunadamente no en todos los casos es así. Está, por ejemplo, Pionero, de Viña Morandé, muy bueno, por $2.680. Aquí, los mejores:

Clos Apalta 2001: Casa Lapostolle
Este es el primer vino chileno de verdadera categoría mundial, que fue elegido por The Wine Spectator como el tercer mejor vino del mundo degustado en el 2003. Es un poderoso y rico vino de ensamblaje, con un 70% de la cepa Carménère, algo de Merlot, de Cabernet Franc y un buen poco de Cabernet Sauvignon. Los resultados gustativos y olfativos son dulzones, suaves, aunque untuosos, muy llenos en boca y de un paladar intenso e interminable. Las frutas negras complejas, del tipo de las ciruelas secas, las guindas y las moras están presentes, armonizando con finas especias vainilladas de la barrica noble. Vale los $49.000.¡Notable!

Triple C 1999: Viña Santa Rita
Triple C es el más logrado y complejo exponente de un trabajo acotado a determinados miles de cajas de la línea Floresta, que inició hace algunos años Viña Santa Rita y que se mostró el año pasado con algunos ensamblajes. El responsable es el enólogo Andrés Ilabaca y Triple C (de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc y Carménère) es su máximo logro. Es un vino potente, elegante y complejo, en el que se superponen atributos de tres variedades en su mejor expresión. Hay fruta roja y negra, leves notas pimentosas y clara influencia de barrica noble. Muy gustoso y lleno en boca, mezcla todo: buen sabor, potencia y elegancia. En boca es muy lleno, con un ataque intenso y un larguísimo final. A los cuatro años de vida aún no expresa todo su alto nivel.$25.000 en tiendas.

Syrah E.Q. 2002: Viña Matetic
Vino sabroso y elegante. Su atractivo reside tanto en su condición de vino muy sabroso y fuera de serie como por la originalidad relativa de la cepa que le da origen y la viña que lo produce. El Syrah de Matetic ratifica que esta cepa puede alcanzar en Chile niveles insospechados. El E.Q. 2002 de Matetic es denso, concentrado y muy elegante, en el que la gama de frutas muy maduras, del tipo de las variedades rojas y negras (guinda, ciruela, frutilla) llega al tono de las mermeladas. Hay también, como en muchos Syrah buenos, notas algo animales, a cuero y a bosque nativo y buena barrica. Una revelación a .$20.000.

Pionero Merlot 2002: Viña Morandé
Este vino, ya catalogado el año pasado por la Guía de Vinos de Chile como el "bast value" (mejor relación calidad-precio) de la década, es un alarde sostenido del enólogo Pablo Morandé y un verdadero fenómeno de la enología nacional. Costando $2.680 en el circuito comercial, evidencia una calidad sostenida y cada vez creciente. Los concursos lo posicionan al nivel de los más caros de los Merlot de Chile y con puntaje casi idéntico. El Merlot Pionero reproduce el 2002, aunque con mayor concentración, todos los atributos que viene mostrando: aromático a ciruelas y a vainilla, levísimamente dulzón, grato en boca, con un cuerpo medio suave y fácil. Muy amistoso. No es Clos Apalta, pero cuesta casi veinte veces menos."

A título orientativo, esclarecemos que a moeda chilena está cotada hoje, aproximadamente, a 575 pesos/dólar.
CHILE - AS VINÍCOLAS
O país possui muitas e renomadas vinícolas, espalhadas ao longo de seus vales, e mencionamos aqui, resumidamente, algumas das mais conhecidas: Almaviva, Baron Philippe de Rothschild, Carmen, Carpe Diem, Casa Lapostolle, Casa Silva, Concha y Toro, Cousiño Macul, Montes, Morandé, Portal del Alto, Quebrada de Macul, Santa Carolina, Santa Helena, Santa Rita, Tarapacá.
Sugerimos, para informações mais detalhadas, uma consulta asos sites da Academia do Vinho e ChileVinos.
CONTROLE DO ENVELHECIMENTO DO VINHO TINTO
Notícias recentes dão conta de que um estudo científico francês centra-se no comportamento físico dos taninos como um dos fatores-chave no envelhecimento do vinho tinto. Deste modo, a Física se uniria à Química no tratamento do processo de amadurecimento do vinho e no controle da conduta dos taninos nele presentes e que tanto preocupam a enologia moderna.
O professor do Laboratório de Física Teórica e Altas Energias de Paris, Drazen Zanchi, estuda a estrutura coloidal dos taninos e o modo como eles se polimerizam (se mantêm juntos). Os primeiros resultados indicam que, controlando-se a razão com que eles se polimerizam, pode-se acelerar ou retardar o envelhecimento do vinho.
Zanchi destacou a importância deste tipo de estudos em sua proposta de investigação, posto que permitirá conhecer como a adstringência e o potencial de envelhecimento do vinho se relacionam com a estrutura coloidal desses componentes. A investigação, que está em sua fase preliminar, contará com a colaboração de cientistas do grupo de enologia da Universidade de Montpellier.
CHILE - AS CASTAS
São poucas as castas, mas todas pertencem à aristocracia da Vitis Vinífera. Assim, as diferenças fundamentais entre os vinhos resultam das uvas com que são elaborados.
Castas tintas:
Pinot Noir - Originária de Bourgogne, é cultivada, principalmente e em proporções quase iguais, nos Valles de Curicó e Maule, e na região Metropolitana. Gera vinhos de grande fragrância, textura e corpo, com fortes aromas frutados quando jovens e com menos taninos que a Cabernet Sauvignon.
Merlot - Originária de Bordeaux, é como que a irmã mais nova da Cabernet Sauvignon, pois gera vinhos parecidos mas menos tânicos, mais suaves e brandos, que amadurecem mais rápido.
Malbec - Originária do sudoeste da França, dá origem a vinhos de bom corpo, concentrados e elegantes, com elevada presença de taninos, que os tornam favoráveis para guarda.
Cabernet Sauvignon - Originária de Bordeaux, é considerada a rainha das castas e produz os melhores tintos do mundo. É cultivada principalmente entre as zonas de Curicó, Maule e Metropolitana. Seus vinhos em geral melhoram com o envelhecimento, em parte devido à presença de taninos e, por outro lado, graças à combinação com outras castas, principalmente a Merlot.

Castas brancas:
Riesling - Originária da Alemanha, produz vinhos de grande caráter e personalidade, de alta acidez, leves e refrescantes. Cultivada principalmente nas zonas de Curicó, Rapel e Maule.
Chardonnay - Originária de Bourgogne, produz os vinhos brancos mais elegantes do mundo, expressivos, harmoniosos, sem extremos duros nem acidez excessiva. Cultivada principalmente na zona de Casablanca.
Sauvignon Blanc - Originária de Bordeaux, produz vinhos menos harmoniosos, devido ao seu forte caráter. Possui aromas minerais e sabores vegetais e a grande maioria é cultivada no Valle de Maule.
Semillon - Originária de Bordeaux, gera vinhos balanceados e de agradável frescor. Cultivada principalmente na zona de Maule, mas poucas são as vinícolas que a utilizam, embora seja plantada em quantidades nada desprezíveis.
Gewürztraminer - Originária da Alemanha, é a casta com o perfume mais característico de todas as uvas, bastante exótico. Cultivada principalmente na zona de Maule, é pouco utilizada, mas já produziu notáveis resultados.

fevereiro 17, 2004

CHILE - AS REGIÕES PRODUTORAS
No Chile se fala em uma trilogia perfeita, pelas excepcionais condições de clima, solo e castas. Mas, em que pese serem estes elementos fundamentais, o país também se modernizou em tecnologia e hoje oferece ao mundo vinhos de esmerada qualidade.
É importante salientar que, a partir de janeiro de 1996, entrou em vigor a lei que estabelece o zoneamento vitivinícola e estabelece normas para a sua utilização. Assim, existem duas grandes regiões vinícolas, com suas respectivas sub-regiões:
Aconcagua - sub-regiões de Valle del Aconcagua e Valle Casablanca.
Valle Central - sub-regiões de Valle del Maipo, Valle de Rapel, Valle de Curicó e Valle del Maule. As três últimas possuem as seguintes zonas: Valle del Cachapoal e Valle de Colchagua (psara o Valle de Rapel); Valle de Teno e Valle del Lontué (para o Valle de Curicó); Valle del Claro, Valle Loncomilla e Valle Tuteven (para o Valle del Maule).
Em notas posteriores continuaremos comentando os vinhos chilenos.
TOURIGA NACIONAL NO BRASIL
Que belo jantar de vinhos o amigo Hildérico patrocinou! Lendo seus comentários, percebe-se que ele se preparou para aprofundar uma análise desta famosa casta portuguesa e, além da seleção dos vinhos, reuniu um grupo de 13 amigos (14 com ele próprio). E agora nos brinda com uma descrição detalhada das degustações, recheada de adjetivos e locuções elogiosos. Só não nos disse (porque de fato não era pertinente) quais pratos serviu para acompanhar esses vinhos... Quem sabe, lendo esta nota, ele volta ao tema e nos fala de suculentos menus...
Ao comentar a fama da TN, Hildérico mencionou que a casta começa a ser exportada para o Brasil, entre outros países. Isto é bastante interessante, na medida em que permitirá aos brasileiros desfrutar das belas características da casta. Já é possível encontrar no mercado vinhos portugueses elaborados à base da TN e, com o objetivo de complementar a matéria de Hildérico e também informar aos amigos de Portugal, transcrevemos abaixo parte do que foi publicado no site Winexperts:
"No Brasil, a Sogrape é representada pela importadora Nunes Martins; a DFJ, do conceituado enólogo José Neiva, pela Maison du Vin; e os vinhos de Domingos Alves de Souza, pela Decanter. Infelizmente, nem todos os outros premiados chegam ao mercado nacional. Mas o consumidor brasileiro pode conhecer o potencial da Touriga Nacional também em muitos outros produtos. Os tintos da Casa Santos Lima, da Estremadura, por exemplo, são importados pela World Wine/La Pastina; Quinta De La Rosa e Quinta Seara D'Ordens, do Douro, são trazidos pela Expand. Na importadora Mistral são encontrados Touriga Nacional de diversas regiões, como o Quinta de Pancas, do Alenquer; Primum, feito pela casa José Maria da Fonseca na Península de Setúbal; Quinta de Saes, do Dão; Quinta da Portela da Vilariça, Quinta da Mata de Baixo e Lavradores de Feitoria, do Douro; Falua Tercius e Quinta da Lagoalva de Cima, do Ribatejo. Nos supermercados, estão à disposição do consumidor o Quinta do Cachão Touriga Nacional, da casa Messias (Douro); e o Touriga Nacional da Herdade do Esporão (Alentejo). São vinhos com diferentes estilos, mas todos têm em comum a garantia do berço, já que predomina em sua composição esta grande uva portuguesa."
Quanto a nós, podemos dizer que já exoerimentamos, mais de uma vez, o Quinta do Cachão e o consideramos de muito boa relação preço/qualidade.
ROBERT PARKER E AS SAFRAS DE 1970 A 2002
Robert Parker avaliou as safras dos anos de 1970 a 2002 para vinhos de diversas regiões do mundo (não incluindo América do Sul, África do Sul, Nova Zelância) e compilou os resultados em uma tabela, com as respectivas notas por safra e região, além de um indicador sobre o atual status dos vinhos.
Esta tabela, publicada na revista The Wine Advocate, fundada por Parker, está atualizada para 31/12/03 e pode ser encontrada no site RobertParker.com e serve como uma referencial básico para os interessados. Como se vê, é tudo Parker...