outubro 01, 2011

UM IDOSO, MAS RESPEITÁVEL BRUNELLO DI MONTALCINO...




TENURA IL POGGIONE BRUNELLO DI MONTALCINO 1980

O encontro de setembro da Confaria Carioca de Amigos do Vinho – CONCAVI, realizado no dia 14, teve como tema “Vinhos Tintos da Itália – Toscana e Umbria”. Dentre os excelentes rótulos que compuseram o painel de degustação (a detalhar em breve no respectivo blog) hvia um que despertava a curiosidade de todos mesmo antes do evento. E não era para memos porque, além de tratar-se de um Brunello di Montalcino, tinha, nada mais nada menos, 31 anos! Sim, era da safra de 1980! Portanto, levando em conta a idade avançada desse vinho, decidiu-se iniciar as degustações por ele.

Cabe esclarecer, preliminarmente, que esse Brunello não foi adquirido no mercado local, mas trazido diretamente da Itália por um dos confrades, em viagem recente, que o comprou de um colecionador de vinhos antigos em Montalcino. A garrafa repousava na adega, recoberta de pó. Isso nos faz pressupor que o vinho tenha sido arnazenado adequadamente ao longo dos anos.

Produzido por Tenura Il Poggione exclisivamente com uvas Sangiovese, a maturaração foi feita por 36 meses em barris de carvalho francês, seguindo-se um período de afinamento em garrafa. A safra de 1980 mereceu a classificação de “cinco estrelas” (excepcional) pelo Consorzio del Vino Brunello di Montalcino.

A primeira preocupação foi com a remoção da rolha, feita lentamente com o máximo de cuidado, mas a mesma mostrou-se fisicamente intacta, apenas ligeiramente molhada. Logo a seguir o vinho passou rapidamente por um decanter, para facilitar o serviço. Nesse momento foi possível observar o halo na cor tijolo, evidenciando o envelhecimento, assim como a existência dee borras.

Mesmo assim, o vinho não estava estragado! E podia ainda ser bebido, com a reverência necessária. Ao nariz percebia-se um aroma indefinido e, na boca, confirmando o nariz, um resquício da sua outrora pujança.

Em suma, foi uma experiência gratificante, dessas que não se costuma ter com freqüência e cabe aqui um agradecimento à confreira que teve o desprendimento de trazer aquela sua preciosidade para compartilhá-la com os amigos.

Não poderíamos encerrar este post sem deixar de ressaltar a grande importância para a região da Toscana que o vinho Brunello adquire em Montalcinno. Tudo lá gira em torno da uva Sangiovese. E o Brunello é um dos três vinhos importantes daquela região, seguido do Chianti e do vino Nobile de Montepulciano, tendo recebido em 1980 a denominação de origem DOCG.

A título de curiosidade: No dialeto toscano, a palavra “brunello” quer dizer "belo moreno". Bem aplicada a esse belo exemplar!

Ainda, lembrando da fina textura do vidro da garrafa degustada, de coloração âmbar, vale ressaltar que o que divide a história do vinho é a invenção da garrafa. Na antiguidade eram as ânforas que conservavam o vinho com suas rolhas de gesso e resina, ainda hoje encontradas nas ruínas de Pompéia. E aqui outra curiosidade: A palavra “ânfora”, de origem grega, significava capacidade de medida, sendo uma ânfora equivalente a 26 litros.

“Depois de todas essas considerações, amigos confrades, o que importa mesmo é o privilégio de junto a vocês saborear um Brunello, de boa safra e sentir a agradável sensação de elegância, a concentração de aromas surpreendentes e sua textura que assemelha-se a um xarope.” Palavras da confreira que, além de levar o vinho, colaborou na redação destas notas.

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