agosto 12, 2005

ECOS DO ENCONTRO EM PEDRA AZUL
Como acontece todos os anos, o Encontro da Pedra Azul movimentou a semana e superou expectativas e números da reunião anterior. Pierre Lurton, senhor de Bordeaux, desfilou com justo orgulho as jóias de seu tesouro. O Château Cheval Blanc, em exemplares das décadas de 80 e 90, dominou as degustações na serra capixaba. Vai ficar por longo tempo como tema de conversa. Vinhos mais discretos de Saint- Émlion, como o Château Cadet-Piola e o Petit Cheval, escoltaram garbosamente o superstar.
Foram provados os Cheval de 88, 89, 95, 98, 2000 e 2001, arrematados pelo mais recente trunfo da coleção de Lurton, o Château Yquem 01. Para que os leitores se lembrem, o Yquem, o mais cobiçado vinho licoroso do mundo, foi adquirido pela LVMH (Lurton no comando da enologia) na virada do milênio e a safra é a primeira do novo diretor.
Não estive lá em cima, mas pelo que pude apurar, na vertical de Cheval Blanc, o 89 e o 2000 ficaram na frente. Alguns participantes apostaram no segundo como potencial de envelhecimento. Sobre o 89, espantoso como, aliás, a safra toda em Bordeaux, o próprio Pierre reconheceu que o Haut Brion se destacou dos demais. Mas seu Cheval arrebata corações e mentes.
O Cheval 61, o de Miles no filme “Sideways”, foi lembrado na palestra de Mario Telles, que reuniu os vinhos do filme: um Sassicaia, um Richebourg 92 e 98 de Mongeard Mugneret, um Merlot de Matanzas Creek, para mostrar o que podem dar tais californianos, e, de Pomerol, um Clos l'Église, que obviamente ganhou a degustação.
A raridade que esteve à altura, sem trocadilho, ficou a cargo de Jorge Lucki, que conduziu o passeio por todos os montrachets, culminando no Le Montrachet 98 de Jacques Prieur. A média de preço por garrafa ficou em R$ 1.250, o que dá a medida do custo de um evento que não poderia sobreviver sem patrocínio.
O parceiro de Pierre, Roberto de la Mota, prosseguiu no Rio a experiência do traço bordalês, na segunda-feira. Os vinhos argentinos Terrazas de los Andes, feitos por Roberto, desfilaram no almoço de Roberta Sudbrack: o Terrazas Malbec, o Terrazas Syrah 03 e o Afincado 02, um supermalbec.
O ponto alto foi o Cheval des Andes 2001, a simbiose do refinamento francês e da riqueza sul-americana. Na gravação do “Menu Confiança”, do GNT, no dia seguinte, o casal de franceses à mesa o preferiu a um Bordeaux de 99, o Château de France.
Era outro cavalo, que, como o de lá, galopa nas alturas. (Fonte: O GLOBO, Revista Rio Show, Renato Machado, 12/08/05)

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